Em respeito à memória de Elenando e Edivanda Maria Teixeira, perseguidos pela ditadura militar, não poderia deixar de me manifestar, em nome da Fundação Conquistense Edivanda Maria Teixeira, a respeito do segundo turno das eleições presidenciais de domingo.
Se olho para o passado, vejo o Brasil dos tempos da ditadura militar, da censura e da repressão. O Brasil dos desaparecidos e dos torturadores, como o Coronel Brilhante Ustra, que a família Bolsonaro e toda a extrema direita, ainda hoje, admira e idolatra. Vejo o Brasil que não se calou e lutou contra a barbárie, como Edivanda e Elenaldo Teixeira, militantes dos direitos humanos, da justiça social e da democracia.
Passados esses anos de chumbo, a redemocratização não foi fácil. Seguiram-se tempos de hiperinflação, de desemprego, saques aos supermercados e muita fome. Contudo, avançamos muito. Melhoramos imensamente, com a estabilidade econômica do Plano Real e principalmente como os governos de Lula, de Dilma, do PT e dos partidos democráticos aliados.
Não há como negar. Quanta diferença! Quantas mudanças, no Brasil inteiro e, sobretudo, em nosso sofrido Nordeste! Baste lembrar das campanhas de Betinho e do Fome Zero; do Luz para Todos, do Água para todos e do Bolsa Família; do programa Minha casa, minha vida, do SUS, do PAC, da política de cotas raciais, do Mais Médicos e tantos outros programas sociais. Como não reconhecer as mudanças promovidas, também em Conquista, pelos governos de Guilherme Menezes e Zé Raimundo, principalmente no campo da proteção à criança, da assistência social e da moradia. Políticas públicas implementadas que mudaram radicalmente a vida das famílias brasileiras, principalmente as mais humildes. Que mudaram para melhor a vida da classe trabalhadora, dos camponeses, dos povos e comunidades tradicionais, de norte a sul desse país. Que trouxeram novas oportunidades para nossa juventude.
É claro: ainda há muito o que fazer! Há muito o que melhorar. Somo um país ainda marcado por profundas desigualdades sociais e regionais. Aprendemos que, mesmo na democracia, nossos sonhos e nossas esperanças nunca caberão todos na urna! Contudo, já avançamos muito. Temos uma democracia consolidada, conquistada com muita luta e muito sacrifício. Realizamos um dos maiores programas de reforma agrária e de demarcação de terras indígenas do mundo. Somos a quarta maior democracia em números absolutos de eleitores e estamos entre as dez maiores economias do mundo. Temos uma Constituição cidadã das mais avançadas. Um país imenso, com uma biodiversidade única. Temos riqueza de etnias e culturas diferentes. Recursos naturais de todo tipo e fontes renováveis de energia elétrica, das mais limpas do planeta.
Pois bem. Tudo isso, hoje, está em jogo. Tudo isso está em disputa. Mais como nunca, neste segundo turno das eleições presidenciais, o seu voto terá consequências! Avançar ou retroceder. Você, eleitor e eleitora, escolhe.
Avançar na defesa de um Brasil livre, soberano, independente e próspero para todos. Um país onde todo mundo tenha acesso a terra, teto, trabalho e dignidade. Avançar ainda mais na superação das desigualdades sociais e regionais ou retroceder para um Brasil do passado, dominado, dependente, submisso a interesses estrangeiros e aos novos colonialismos. Um Brasil ainda mais desigual e da riqueza concentrada. De ricos cada vez mais ricos, às custas de pobres cada vez mais pobres.
Caro eleitor e eleitora: é isso que seu voto irá decidir. AVANÇAR OU RETROCEDER.
A extrema direita, que disputa esse segundo turno com Lula do PT, não tem nada de melhor a oferecer àqueles que mais necessitam nesse país, à classe trabalhadora, ao desempregado, ao refugiado, ao migrante, à população de rua. A você, trabalhador e trabalhadora do campo e da cidade; a você, jovem estudante; a você, mulher, vítima de violência e preconceito; a você, que vive em territórios dominados pelas milícias armadas.
Pense nisso, quando for votar no dia 25 de outubro.
AVANÇAR OU RETROCEDER.
Meu mais sincero e fraterno abraço.
Daniele Piccoli Presidente da Fundação Conquistense Edivanda Maria Teixeira
